05 Julho 2009

À escuta...



Se ficasses à escuta...

Ouvirias, no silêncio desta noite de prata
os meus passos calados a chegar.
Ouvirias o meu cheiro a flores do campo
aproximar-se e invadir-te.
Ouvirias o meu olhar perdido
ternamente encontrar-se pousado em ti.
Ouvirias o toque da minha mão
desenhando promessas e sonhos na tua pele.

Se ficasses à escuta...

e parasses o mundo dentro de ti,
ouvirias o meu coração sussurrar-te em silêncio

o que calado te diz a toda a hora.

07 Agosto 2008

Regresso

Voltei...
de uma viagem imóvel,
que durou (talvez) tempo demais...
Algures no deserto destes meses,
descobri que a ignorância é o primeiro
talvez o único degrau
na escada para a felicidade!
Descobri que a mentira
quase sempre doi bem menos que a verdade...
e enquanto vivemos imersos na ilusão,
nada nos pode (ou consegue) atingir.
Mas... quando a venda cai
e a verdade se mostra
dura e cruel
sem dó nem piedade...
Não há sonho que subsista!

Voltei,
de uma viagem no tempo e não no espaço...
No mesmo sítio e tantos mundos depois,
dou comigo a desejar fazer tudo outra vez...
Sucumbir à saudade,
deixar-me envolver no seu abraço
e voar no tempo
rumo ao mesmo passado que tanto quis esquecer.

Voltei,
com os mesmos sonhos de menina apaixonada
mas sem tempo,
sem espaço,
e sem motivos pra sonhar...
Presa num mundo cruel que não quis,
numa vida vazia que não escolhi,
e num casulo apertado que parece não querer quebrar.
Dou comigo a morrer de saudades de mim,
de quem fui... e quis ser,
de quem quis... e não fui,
de quem quero... e sonhei... e não sou!

Vila Real, Sta Iria
06-08-2008

21 Junho 2007

Insónia de ti

Na minha visão romântica do mundo, de mim e do que sou, no meu sonho inventado povoado de amor pare sempre, e princípes, e cavalos brancos, e juras de amor debaixo de um luar resplandecente ou à vista de um pôr-do-sol de cortar a respiração, não há lugar para ti!
Só que, neste mundo real em que vivo (vivemos)... não precisas de um pôr-do-sol, nem do luar e muito menos de juras de amor (eterno ou não) para me tirares de mim, me roubares sem dó o sessego e o sono... basta a tua presença, (até a tua lembrança) para sentir o coração bater mais forte (por vezes tão forte que parece saltar do peito), sentir as pernas tremer, de ansiedade, saudade e desejo... ficar sem fôlego, como se cada inspiração ou cada segundo se transformasse em eternidade...
E a saudade... Nem sei se posso chamar saudade ao que sinto! Nada tem a ver com a saudade triste e só da alma lusitana, mas sim com a ânsia, do momento que nunca mais vem... com o desejo impossível de te procurar e lançar-me nos teus braços sem como nem porquê... com a vontade de te ver... sentir... amar... Agora!
Algures num passado que ainda dói recordar, refugiada no certo, no correcto e no concreto, deixei fugir da palma da mão tantas felicidades que não ousei sequer procurar.
Não sei se simplesmente cresci, ou se foi o mundo que me transformou... sei que os olhos que hoje te veêm não são os mesmos que te conheceram, nem sequer os que conheceste.
Quando e como mudei? Também não sei!
Acho que me fui cansando aos poucos dos platonismos que me enchiam o coração mas me esvaziavam a vida, dos medos que roubavam tudo o que em mim era espontâneo e vivo, da insegurança que determinava tudo em mim!
Acho que percebi aos poucos que arriscar e saltar do abismo não era assim tão má ideia e que, ainda quee fosse o fim, a sensação de liberdade, medo e ansiedade era demasiado forte para a deixar fugir mais uma vez.
Porquê tu? Não sei... Talvez por não me perguntares o que sinto, nem o que quero, e te limitares a nevolver-me... em que? Também não sei e, também para que interessam os porquês?
Toda a gente sabe que as melhores coisas da vida são efémeras, como a neve resplandecente na montanha, que o sol não tarda em derreter, como a noite brilhante de luar que povoava os meus sonhos de menina e que a manhã não se incomoda nada em apagar, como o sol que se esconde num segundo por detrás de um magnífico manto multicolor ou como o vento que vem... sacode tudo e... no momento seguinte ja passou e devolveu a calma ao mundo.
Se és na minha vida eterno como um diamante, o futuro o dirá... mas sei quem se fores tão repentino como uma rabanada de vento, não me arrependo nem por um segundo no momento em que me sacudiste, reviraste e, partindo, me deixaste nesta calma ansiosa e cheia de vontade que o mesmo vento... ou outro... me invada, sacuda e revolva, e parta outra vez...
Sozinha comigo, neste dia, como tantos outros ausente de ti, dou com o pensamento perdido enre memórias de palavras, de gestos e sensações, confuso nos sentimentos e vontades, mas nunca como dantes afogado em ilusões e mágoas de desejos impossíveis e infundados.
Não durmo sem que o teu cheiro ou o toque da tua pele me interrompa o sono... Sim, sonho contigo! Dou comigo a sucumbir ao cansaço de noites e noites sem sono... Dias e dias de trabalho sempre seguidos de noites em que a solidão me assola... Mas, mesmo nestes momentos de solidão... Nesses momentos, não poderia ser mais feliz!
Amarante, São Gonçalo
27-01-2007

18 Setembro 2006

Sombras

Na sombra de um beijo
no sorriso de um abraço
vejo-te...
Sinto-te!
Sinto o calor da tua pele na minha
o teu toque
e o teu cheiro impregnado em mim...
Amanheço com o teu sorriso
a beijar-me o acordar,
oiço os teus passos a deambular pela casa
e sinto o teu calor
na minha cama vazia.
E é nesta sombra escondida
de ti
do mundo
de mim,
que te encontro
e novamente te perco.
É neste amanhecer~sem fim
onde o dia quese toca a noite
que te abraço
como a luz abraça a sombra
e novamente
te empurro para fora da minha vida
como o dia empurra a noite
para bem longe da madrugada.
e fico aqui,
sozinha contigo
aninhado no pensamento
(na lembrança do teu olhar
na sombra do teu sorriso)
a encher-me o dia
de sol
de luz
de sombra...
desta sombra serena
tão doce e tão amarga
que me envolve
e me protege do mundo
mas me atira de novo
no calor do teu abraço
E para mais um dia oco
cheio da tua ausência!

09 Abril 2006

Dás-me?

E se eu voasse...
de leve
de mansinho
chegasse e te roubasse
o abraço!
Se eu me aconchegasse
quietinha...
deixavas-me fazer parte de ti?
Deixavas, num murmúrio
num instante só,
sussurrar-te
todos os segredos
todos os sonhos
que tenho para ti?
Se te roubasse
úm só momento,
só para mim...
Deixavas-te ser meu?
Dás-me?
Um segundo?
Um minuto?
ou a eternidade?
Um bocadinho de tudo
e um pedacinho de nada...
Um sorriso,
um abraço...
Um salto de pára-quedas,
rumo ao infinito?
Dás-me?
Um momento de futuro...
um cheirinho de presente?
Dás-me?
Um segundo de ti,
um instante de silêncio
cheio de um nós
que teima em não chegar
neste horizonte infinito
de espera
e de esperança!

26 Fevereiro 2006

Amanhã

Se!
Passamos da idade dos porquês para a idade dos Ses e nem damos conta disso. A partir de uma certa altura, a nossa vida reveste-se de uma incerteza, imerge-se num profundo e denso nevoeiro e perde-se, algures num pântano de dúvida!
Alguém poderá dizer exactamente onde vai estar ou o que vai fazer daqui a 2, ou 5, ou 10 anos? Obviamente não! Mas também , inevitavelmente, é esta incerteza que nos adoça e apimenta a existência, que noa dá alento e força para continuar a rumar a esse futuro que nem sequer sabemos se vai existir.
Às vezes gostava de saber o que vai acontecer amanhã, mas logo desisto, não saber quem vou encontrar, quem me vai sorrir no caminho, em que pedra vou tropeçar ou que vão chover borboletas, faz-me desejar que amanhã chegue, me surpreenda e que a vida me obrigue a crescer a cada dia que passa!

19 Fevereiro 2006

Se eu soubesse falar de amor

Se eu soubesse falar de amor,
encontraria palavras tão belas
que fariam de ti o poema mais lindo
que alguém já um dia escreveu

Se eu soubesse falar de amor,
ver-te-ia em todo o lado,
a sorrir-me como o sol
que me enche de alegria as manhãs.

Se eu soubesse falar de amor,
conseguiria, com toda a certeza
dizer ao mundo o quanto sou feliz
quando tu estás comigo.

Se eu soubesse falar de amor,
poderia escrever sobre ti
um milhão de coisas lindas

Não!
Se eu soubesse falar de amor
não me esforçaria tanto:
Não procuraria palavras bonitas
nem os sons mais belos e profundos,
sentava-me, fechava os olhos
e deixava-te falar por mim!

16 Fevereiro 2006

Refúgio

Fechei-me em copas.
Cerrei todas as portas e janelas
da minha vida
com correntes e cadeados
pra não deixar ninguém entrar!
A solidão tornou-se um refúgio
um lugar calmo,
sereno,
pleno de conforto!
Nada de novo...
Ninguém de novo.
Parece monótono
e na realidade é!
Mas é seguro...
Se ninguém entra na tua vida
ninguém te pode magoar!
Refugiei-me nessa segurança
e fui vivendo assim,
sem medo da novidade
nem da mudança,
pela certeza que não viria!
Não sei que janela me esqueci de fechar,
ou porque frincha ele entrou,
mas a verdade é que não resultou!
O meu refúgio foi invadido
e a serenidade...
Foi-se!
Tal como o vento
que passa,
agita tudo
e quando dás por ele,
já foi!
Não sei explicar o que aconteceu,
nem como aconteceu,
e muito menos porquê!
Mas a verdade
é que sem pedir
sem eu deixar,
novamente me invadiram o coração,
me quebraram as defesas...
como um vento ciclónico
revolucionaram tudo
e no fim,
fiquei no meio dos destroços,
a colar tudo de novo...
a vedar portas e janelas
pra poder voltar
ao torpor em só
em que me habituei a viver!

Vila Real, 13.02.2006

11 Fevereiro 2006

Céu


Esta noite...
não feches a persiana!
Antes,
senta-te à janela
e olha o horizonte!
Vê bem essa paisagem
que tão bem conheces
e repara no céu!
É que sonhei
que era essa estrela
que vês lá ao longe
e que hoje,
quando olhasses pra ela,
era o meu olhar
que irias encontrar,
e eu...
finalmente...
o teu!
Sonhei,
que nesse lugar,
no meio do firmamento
tão longe e tão perto,
ia nascer um espaço novo,
secreto,
meu e teu!
Sonhei que criávamos,
juntos,
sem medos nem receios
(e muito menos fantasmas)
um novo céu!
Sonhei que lá chegar,
era tão fácil
como um breve pestanejar,
e voltar...
voltar não dava!
É um sonho,
eu sei!
Mas esta noite...
não feches a persiana!
Antes,
senta-te à janela
e olha o horizonte,

e juntos
vamos descobrir
esse céu só nosso
meu e teu!
Esse lugar de encontro
perpétuo,
secreto!
Onde vamos viajar,
cada dia,
cada hora,
sempre que a saudade
apertar mais!

Vila Real, 10.02.20006

Encontro

Um outro tu,
mas o mesmo olhar,
o mesmo sorriso,
à minha espera
nesse lugar mágico
onde nunca nos encontramos!
Um outro eu
mas a mesma vontade,
o mesmo desejo profundo de estar contigo!
Num instante,
os nossos olhares cruzam-se,
e nesse mesmo instante,
novamente
o meu olhar se perde no teu
e eu me perco em ti!
Juntos,
tu e eu,
num outro cenário
num outro momento
desta nossa história
que já teve tantos e tantos.
Vou contigo!
Vou sempre contigo.
Deixo-me conduzir por ti,
e vamos pelas tuas ruas de sempre
andando,
caminhando,
falando e rindo!
Gosto desse teu riso fácil,
e de o quotidiano ja não pesar entre nos!
Amo esta distância
que nos une
em momentos tão profundos como este!
Amo-te sempre que te vejo
que te oiço
que te cheiro
que te sinto!
Amo esta luz
esta rua de noite dourada
que te faz ainda mais doce.
Amo este frio
que te faz caminhar mais juntinho de mim.
Amo o teu sorriso!
Esse sorriso mágico
que me faz sonhar novamente,
contigo!
Amo-te de novo,
neste mesmo momento
em que novamente te encontro
outra vez me despeço
e em que de novo,
me encontro em ti!

Vila Real, 03.03.2006

Valerá a pena amar?

Valerá a pena amar?
Sera que tem algum sentido?
O coracao doi,
o peito esmaga-se
e vivo na ânsia vã de te ter comigo!
Hoje sinto-me pequena
desprotegida
sem chão
sem tecto
sem lar
sem vida.
Sinto que um anjo me fugiu
e as asas,
que dantes me protegiam
e transportavam pra um mundo de sonho,
simplesmente fugiram,
desapareceram!
Sinto que a qualquer momento
uma dor lancinante
me vai varrer a alma,
para sempre!
Sinto que o meu coração
vai quebrar de novo
em milhões e milhões
de minúsculos pedacinhos
impossíveis de voltar a colar.
Sinto que o meu coração
é como uma jarra ou um prato,
que já se partiu tantas vezes,
que desta...
Ja vivi esta história uma vez
e sei que não tem
o final encantado dos contos de fadas,
pelo menos não para mim!
Não vale a pena sonhar
que sou uma cinderela perdida,
as fadas-madrinha não existem!
E nos anjos da guarda
já deixei há muito de acreditar!
No entanto,
sempre quis crer,
que há amigos,
e que as vezes eles parecem anjos
que nos amparam no meio da dor.
Mas quando estes falham,
nos desiludem,
nos magoam,
parece que o mundo descamba.
Parece um enorme terramoto
que destroi tudo à volta
e cá dentro.
Sei bem que a culpa é minha,
que sonho demais,
que alimento espectativas,
ilusões.
Sei bem que penso
(olusão minha)
que todos amam como eu,
mesmo os meus amigos!
E dói,
Oh! Como dói!
Descobrir que não é assim!
Como dói descobrir,
que pros outros
há amigos das horas más
e amigos das horas boas
e não amigos de sempre,
como para mim!
Como dói perceber que,
se calhar,
esses anjos que pensava ter comigo
não existem afinal!
Diz-me lá entao,
valerá a pena amar?
Valerá a pena abrir o coração
a quem mo possa partir por dentro?
Valerá a pena deixar entrar na minha vida
outro alguém que a torne ainda mais dura,
mais difícil,
mais sem sentido?
Valerá a pena amar?
Ou, ainda melhor,
no meio de tudo isto,
Será que vale a pena continuar a Amar-te?

Venda Nova, 30 Jan 2006

10 Fevereiro 2006

Hoje, amei-te um bocadinho menos











Hoje,
Amei-te um bocadinho menos!
Acordei e pensei em ti,
Como todos os outros dias!
Lembrei-me de ti,
Sonhei, acordada, contigo,
Como todos os outros dias!
E sei que a noite,
mesmo antes de adormecer,
vai ser teu o meu ultimo pensamento,
Como todos os outros dias!
Tantas vezes me apanhei a sorrir
so de recordar o teu sorriso.
Outras,
entristeceu-me a alma
porque lembrei a tristeza no teu olhar.
Mas hoje,
nao povoaste
cada segundo do meu dia,
cada sopro,
cada batida do meu coracao!
Hoje,
Houve segundos,
e minutos,
que nao foram teus,
foram meus!
Hoje pensei em mim
pensei em mim sem ti!
Hoje passei menos tempo
naquele mundo encantado
onde o nos existe
e e a unica realidade.
Hoje sorri,
e o meu sorriso veio do fundo da alma,
de uma vontade profunda
e irresistivel de sorrir.
Hoje sonhei comigo,
pensei em mim,
sorri,
chorei,
por mim!
Hoje,
Amei-te um bocadinho menos!

Vila Real, 20 Jan 2006

Sorriso

Um dia sonhei…
Que bastava um sorriso
Que era tudo quanto precisava
Pra ser feliz!
Sonhei que apenas um sorriso
Era capaz de mover montanhas
E apagar a dor
Que inunda tantos olhares…
Sonhei que sorria
E o sol me respondia…
Sonhei que o luar
Não era nada mais
Que o sorriso pálido, sofrido
E inevitável da lua.
Sonhei que a chuva
Não eram lágrimas
(como dizem)
Mas pequenos sorrisos
Com que as nuvens cumprimentam!
Sonhei que as estrelas
Eram o meu
O teu
E tantos outros sorrisos
Que o céu acolhia
E guardava eternamente no firmamento!
Dizem que sorriso gera sorriso
Que é esse o primeiro passo
Pra ser verdadeiramente feliz!
E eu,
Nesse sonho momentâneo
Decidi fazer da minha vida um sorriso!
Achei que assim…
Poderia ser feliz!
Só que…
Há dias…
Em que por muito eu tente
Por muito que queira
É tão difícil sorrir!
Nesses dias…
O meu coração envolve-se em névoa
O meu olhar inunda-se
E o sorriso
Teima em esconder-se
No mais recôndito de mim…
Mas nesses dias
Apesar de toda a tristeza,
De toda a solidão…
Continua a bastar um sorriso…
Só que teu e não meu!
Sim!
Em qualquer dia…
A qualquer hora…
Basta um sorriso teu
E sou feliz!


Vila Real, 30-12-2005

Deserto

Às vezes pergunto-me
Se nao será esse o maior encanto da vida:
O amanhã incerto
O hoje confuso
E o ontem que se esvanece,
nas curvas e contra-curvas da memória!
Sinto-me a atravessar um deserto,
de aridez sem fim!
Olho em volta e
Vejo somente dunas...
Dunas e dunas de areia sem fim!
Areia no ar,
em névoas fechadas
em nuvens de pó
de dor...
de saudade...
e de esperanca!
Nuvens de passado ,
Que se confunde em presente
que esconde o amanhã!
Deserto de sombras e risos,
de lágrimas e de sonhos
Deserto de ti!
Deserto de mim!
Sorri...
Um sorriso,
uma lágrima...
e chove neste deserto!
E no meio de tantas lágrimas,
deste céu...
que teima em nos separar,
Surge um arco-iris
de sonhos e de esperanças,
de segredos para guardar.