09 abril 2006

Dás-me?

E se eu voasse...
de leve
de mansinho
chegasse e te roubasse
o abraço!
Se eu me aconchegasse
quietinha...
deixavas-me fazer parte de ti?
Deixavas, num murmúrio
num instante só,
sussurrar-te
todos os segredos
todos os sonhos
que tenho para ti?
Se te roubasse
úm só momento,
só para mim...
Deixavas-te ser meu?
Dás-me?
Um segundo?
Um minuto?
ou a eternidade?
Um bocadinho de tudo
e um pedacinho de nada...
Um sorriso,
um abraço...
Um salto de pára-quedas,
rumo ao infinito?
Dás-me?
Um momento de futuro...
um cheirinho de presente?
Dás-me?
Um segundo de ti,
um instante de silêncio
cheio de um nós
que teima em não chegar
neste horizonte infinito
de espera
e de esperança!

26 fevereiro 2006

Amanhã

Se!
Passamos da idade dos porquês para a idade dos Ses e nem damos conta disso. A partir de uma certa altura, a nossa vida reveste-se de uma incerteza, imerge-se num profundo e denso nevoeiro e perde-se, algures num pântano de dúvida!
Alguém poderá dizer exactamente onde vai estar ou o que vai fazer daqui a 2, ou 5, ou 10 anos? Obviamente não! Mas também , inevitavelmente, é esta incerteza que nos adoça e apimenta a existência, que noa dá alento e força para continuar a rumar a esse futuro que nem sequer sabemos se vai existir.
Às vezes gostava de saber o que vai acontecer amanhã, mas logo desisto, não saber quem vou encontrar, quem me vai sorrir no caminho, em que pedra vou tropeçar ou que vão chover borboletas, faz-me desejar que amanhã chegue, me surpreenda e que a vida me obrigue a crescer a cada dia que passa!